

Véspera de feriado. A cidade fica mais agitada, os carros nas ruas têm mais pressa para chegar quem sabe onde.
Os supermercados lotados. As pessoas tumultuadas mais que de costume. Todos querem prioridade no atendimento, pois se isso não acontecer o EGO (equilíbrio entre ID-inconsciente e Super Ego – limites e disciplina) desaba ao sair da loja.
Em casa, a mãe fazendo as malas. As crianças eufóricas pulam, gritam, até que sem querer um bate com o pé na cabeça do outro. É aquela choradeira: “- Manhê, o Zezinho esta me machucando”. A mãe aos berros vai ver o que está acontecendo e fala: “- Vocês podem parar? Preciso fazer as malas!!!.” Nesse momento chega o pai que ficou horas na fila “daquele” posto de gasolina para abastecer. A esposa lhe pergunta: “Você trouxe dinheiro para viagem?.” Ele responde: “- Esqueci”. Ela retruca: “-Eu, aqui com tudo para fazer, essas crianças que não param de brigar e você esquece do mínimo que é responsabilidade sua!” O clima já esta pesado, nesse momento.
Enfim, entram no carro. No percurso, começa a discussão sobre qual CD irão ouvir durante a viagem. Ao chegar na serra, o cachorro passa mal, pois esqueceram de retirar a comida dele algumas horas antes da viagem.
Chegam no litoral. Descem a bagagem. Se a casa já estiver limpa, ótimo, senão todos para a faxina, e é claro, mal humorados. Depois de tudo no lugar, trocam-se e vão à praia. Armam o guarda-sol, abrem as cadeiras. Discretamente olham para os que estão atrás e que certamente perderão a visão do mar. Afinal a praia esta superlotada.
Acomodados, pensam: “Finalmente iremos descansar!!!” Após alguns minutos o primeiro vendedor ambulante aparece: “-Olha aí, Doutor, vai uma rede hoje, esta barato!”. Você desvia sua atenção do mar, da natureza, vê alguém pingando de suor à sua frente e diz: “-Não Obrigado!”. Ao tentar relaxar a mente olhando para o mar, surge o segundo vendedor: “Olha aí, camarada, é o lanche natural! Vai experimentar, hoje? Tem diversos sabores!”
“-Agora não, obrigada”. E assim passa o seu dia na praia.
NOTA – As cadeiras de praia deveriam trazer fixas duas placas: “Hoje não quero nada” ou “Disponível às compras”.
Após horas ao Sol, voltam a seus lares. “Quem tomará banho, primeiro?”
Hora do almoço! Ir ao restaurante! Ficar na fila, a princípio dos carros para estacionar, depois na espera de uma mesa, pois os mais baratos são os mais disputados, ou então, fazer aquela fritura básica na cozinha, limpar tudo, igualzinho em casa, no cotidiano.
Último dia do feriado. É hora de preparar tudo e retornar. Todos podem imaginar o cansaço!
Psicologicamente falando, gostaria de entender o que as pessoas definem por “descansar”. Muitas vezes no consultório, escuto pessoas comentarem que não sabem se descansariam mais indo no feriado ou ficando em casa. O que observo é que todos buscam a paz, a serenidade, o descanso da mente. Hoje me questiono: Será necessário para repousar a mente viajar, sair, ou pelo menos acreditar que isso é o ideal para relaxar?
Na verdade faltam ao ser humano discernimento, coragem de ser diferente, ousadia de seguir o desejo e realização daquilo que lhe traga descanso.
Seria oportuno para uma mãe, uma dona de casa, por exemplo, viajar. Porém, depois de feito um acordo com a família de não lavar uma xícara e muito menos de se aproximar do fogão. Melhor ainda, ficar um dia inteiro dormindo ou fazendo só coisas que lhe façam bem, como ir à manicura, olhar vitrines, assistir a um filme, etc. “Detalhe”: sozinha, sem as crianças.
Para ser honesta o que está faltando é a originalidade, é saber definir, buscar o que lhe faz feliz e ousar ser “DIFERENTE”.
Eliane Pisani Leite
Psicóloga, Psicopedagoga, Acupunturista, Terapeuta Floral e Escritora
e-mail: pisani.leite@terra.com.br
COMPORTAMENTO: FERIADO DE PAULISTA